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A história da grande
conquista do Campeonato Brasileiro de 1974 pelo Vasco é uma sucessão de
vitórias consideradas impossíveis. Depois de uma campanha regular nas
diversas fases de classificação, mesmo tendo que suportar sucessivos
desfalques no seu elenco, o Vasco chegou em ascensão ao quadrangular
final, como vencedor de um grupo do qual também participavam Corinthians,
Atlético-MG, Vitória-BA, Operário-MT e Nacional-AM.
Os vencedores dos outros
três grupos foram Santos, Cruzeiro e Internacional, todos temíveis
adversários. O Santos, além de Pelé, tinha Cejas, Marinho Peres e Edu.
Clodoaldo ainda se recuperava da contusão que havia impedido a sua
participação na Copa de 1974. O Cruzeiro, sem duvida o melhor em termos de
talentos individuais, contava com Nelinho, Perfumo, Piazza, Zé Carlos,
Dirceu Lopes (que injustiça não ter ido a Copa) e Palhinha. O
Internacional tinha o embrião do grande time que seria o bicampeão
brasileiro nos dois anos seguintes, com Manga, Falcão, Paulo César
Carpeggiani e Valdomiro.
Na abertura do quadrangular, o Vasco venceu o Santos por 2x1 no Maracanã.
O jogo acabou sendo difícil, pois, saindo na frente com um gol de Luis
Carlos, o Vasco tomou o empate numa cobrança de falta por Pelé e, apesar
de dominar o jogo, só foi desempatar a quatro minutos do fim com um gol de
Roberto. O segundo
jogo seria no Mineirão, contra o favorito Cruzeiro, que vinha de empatar
com o |
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Internacional.
Nenhum cruzeirense acreditava em outro resultado que não fosse a vitória.
Mas o Vasco, mesmo depois de perder o primeiro tempo por 1x0, conseguiu
empatar [com um gol de Alfinete] e, no último minuto, o Cruzeiro começava
a perder.
Tudo porque, a partir de uma decisão contestada de Sebastião Rufino - ele
não marcou um suposto pênalti em Palhinha -, o dirigente Carmine Furletti
invadiu o campo para agredir o juiz e o técnico Hilton Chaves fez o mesmo
com um bandeirinha. O erro teria as mais graves repercussões a partir do
instante em que o Vasco, depois de empatar com o Inter, no Maracanã,
viu-se obrigado a disputar uma partida-extra com o Cruzeiro para chegar ao
título. De acordo com o Regulamento, o jogo seria no Mineirão.
De fato, teria bastado ao Vasco vencer o Internacional no Maracanã para
sagrar-se campeão, independentemente do resultado de Santos x Cruzeiro
(disputado a mesma hora e que acabou sendo vencido pelo time mineiro). Com
menos de 20 minutos, o Vasco já vencia por 2x0, gols de Roberto e Zanata.
Ao fim do primeiro tempo, o Vasco estava com uma tremenda pinta de
campeão. No segundo tempo, todavia, relaxou e complicou o jogo fácil,
levando dois gols bobos nos últimos 20 minutos.
Com esse empate, o Vasco terminou empatado com o Cruzeiro e teria que ir
novamente ao Mineirão para uma partida-extra. Mas o artigo 59 do
regulamento da competição, conhecido por todos os clubes desde antes do
seu inicio, dizia claramente o seguinte:
Quando houver tentativa de agressão ou agressão, por parte do público ou
de qualquer dirigente, associado ou empregado das associações locais, ao
árbitro, seus auxiliares, dirigentes, empregados ou jogadores da
associação visitante, o Departamento de Futebol da CBD reestruturará a
tabela do Campeonato, invertendo o mando de três dos jogos subseqüentes da
associação local.
O Vasco entrou com um
protesto junto a CBD pela manutenção do jogo em Belo Horizonte. O local
teria que ser mudado pela infração cometida por Carmine Furletti e Hilton
Chaves. O Cruzeiro, já na defensiva, entrou com um recurso contra o
protesto do Vasco. A CBD resolveu então não decidir coisa alguma, ou
melhor, transferiu qualquer decisão para depois do julgamento de Carmine
Furletti e Hilton Chaves. Ficou evidente para os homens do Cruzeiro que
uma decisão tomada após o julgamento dos incidentes de Belo Horizonte
levaria o jogo para o Rio - como exigia o Vasco, amparado pelo
Regulamento. Foi quando os dirigentes do Cruzeiro resolveram jogar no
Maracanã - o Vasco vencia mais uma batalha.
Depois de uma tremenda
guerra de nervos, que durou 25 minutos, tempo no qual as duas equipes
recusaram-se a entrar em campo na frente, Vasco e Cruzeiro entraram
praticamente juntos. Os vascaínos com seu uniforme todo preto,
contrastando com o branco usado pela equipe mineira.
O Vasco deu flores e um
cartão de prata ao Cruzeiro. Também coube ao representante carioca a saída
de jogo. Mas do outro lado estava a patota de Dirceu Lopes, cheia de
qualidade individual e disposição.
Antes mesmo que Armando Marques apitasse o
final do jogo vencido pelo Vasco, a torcida vascaína explodiu e o Mário
Filho viveu um dos seus maiores momentos de vibração. E durante os
seguintes 20 minutos, os torcedores mantiveram-se todos em seus lugares,
aos gritos de Casaca, enquanto os campeões brasileiros davam a tradicional
volta olímpica e Alcir subia à Tribuna de Honra, onde recebeu a Taça de
Prata das mãos do Presidente Otávio Pinto Guimarães.
FICHA TÉCNICA DO JOGO: VASCO 2x1
CRUZEIRO
Local: Estádio Mário Filho (Maracanã). Rio de Janeiro 01/08/1974
Juiz: Armando Marques, auxiliado por Oscar Scolfaro e José Favile Neto.
Renda: Cr$ 1.413.281,50, com 112.933 pagantes.
Gols: Ademir aos 14 minutos do 1º tempo; Nelinho, aos 19, e Jorginho, aos
33 do 2º tempo.
VASCO
Andrada; Fidélis, Miguel, Moisés e Alfinete; Alcir, Zanata e Ademir;
Jorginho, Roberto e Luís Carlos. Técnico: Mário Travagrini.
CRUZEIRO
Vitor; Nelinho, Perfumo, Darci Meneses e Vanderlei; Piazza, Zé Carlos e
Dirceu Lopes; Roberto Batata, Palhinha (Joãozinho) e Eduardo (Baiano).
Técnico: Hílton Chaves. |