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Ha 35 anos Mario Travagrini conquistava o Campeonato Brasileiro pelo Vasco

A história da grande conquista do Campeonato Brasileiro de 1974 pelo Vasco é uma sucessão de vitórias consideradas impossíveis. Depois de uma campanha regular nas diversas fases de classificação, mesmo tendo que suportar sucessivos desfalques no seu elenco, o Vasco chegou em ascensão ao quadrangular final, como vencedor de um grupo do qual também participavam Corinthians, Atlético-MG, Vitória-BA, Operário-MT e Nacional-AM.

Os vencedores dos outros três grupos foram Santos, Cruzeiro e Internacional, todos temíveis adversários. O Santos, além de Pelé, tinha Cejas, Marinho Peres e Edu. Clodoaldo ainda se recuperava da contusão que havia impedido a sua participação na Copa de 1974. O Cruzeiro, sem duvida o melhor em termos de talentos individuais, contava com Nelinho, Perfumo, Piazza, Zé Carlos, Dirceu Lopes (que injustiça não ter ido a Copa) e Palhinha. O Internacional tinha o embrião do grande time que seria o bicampeão brasileiro nos dois anos seguintes, com Manga, Falcão, Paulo César Carpeggiani e Valdomiro.

Na abertura do quadrangular, o Vasco venceu o Santos por 2x1 no Maracanã. O jogo acabou sendo difícil, pois, saindo na frente com um gol de Luis Carlos, o Vasco tomou o empate numa cobrança de falta por Pelé e, apesar de dominar o jogo, só foi desempatar a quatro minutos do fim com um gol de Roberto.

O segundo jogo seria no Mineirão, contra o favorito Cruzeiro, que vinha de empatar com o

Mário Travagrini

Internacional.

Nenhum cruzeirense acreditava em outro resultado que não fosse a vitória. Mas o Vasco, mesmo depois de perder o primeiro tempo por 1x0, conseguiu empatar [com um gol de Alfinete] e, no último minuto, o Cruzeiro começava a perder.

Tudo porque, a partir de uma decisão contestada de Sebastião Rufino - ele não marcou um suposto pênalti em Palhinha -, o dirigente Carmine Furletti invadiu o campo para agredir o juiz e o técnico Hilton Chaves fez o mesmo com um bandeirinha. O erro teria as mais graves repercussões a partir do instante em que o Vasco, depois de empatar com o Inter, no Maracanã, viu-se obrigado a disputar uma partida-extra com o Cruzeiro para chegar ao título. De acordo com o Regulamento, o jogo seria no Mineirão.

De fato, teria bastado ao Vasco vencer o Internacional no Maracanã para sagrar-se campeão, independentemente do resultado de Santos x Cruzeiro (disputado a mesma hora e que acabou sendo vencido pelo time mineiro). Com menos de 20 minutos, o Vasco já vencia por 2x0, gols de Roberto e Zanata. Ao fim do primeiro tempo, o Vasco estava com uma tremenda pinta de campeão. No segundo tempo, todavia, relaxou e complicou o jogo fácil, levando dois gols bobos nos últimos 20 minutos.

Com esse empate, o Vasco terminou empatado com o Cruzeiro e teria que ir novamente ao Mineirão para uma partida-extra. Mas o artigo 59 do regulamento da competição, conhecido por todos os clubes desde antes do seu inicio, dizia claramente o seguinte:

Quando houver tentativa de agressão ou agressão, por parte do público ou de qualquer dirigente, associado ou empregado das associações locais, ao árbitro, seus auxiliares, dirigentes, empregados ou jogadores da associação visitante, o Departamento de Futebol da CBD reestruturará a tabela do Campeonato, invertendo o mando de três dos jogos subseqüentes da associação local.

O Vasco entrou com um protesto junto a CBD pela manutenção do jogo em Belo Horizonte. O local teria que ser mudado pela infração cometida por Carmine Furletti e Hilton Chaves. O Cruzeiro, já na defensiva, entrou com um recurso contra o protesto do Vasco. A CBD resolveu então não decidir coisa alguma, ou melhor, transferiu qualquer decisão para depois do julgamento de Carmine Furletti e Hilton Chaves. Ficou evidente para os homens do Cruzeiro que uma decisão tomada após o julgamento dos incidentes de Belo Horizonte levaria o jogo para o Rio - como exigia o Vasco, amparado pelo Regulamento. Foi quando os dirigentes do Cruzeiro resolveram jogar no Maracanã - o Vasco vencia mais uma batalha.

Depois de uma tremenda guerra de nervos, que durou 25 minutos, tempo no qual as duas equipes recusaram-se a entrar em campo na frente, Vasco e Cruzeiro entraram praticamente juntos. Os vascaínos com seu uniforme todo preto, contrastando com o branco usado pela equipe mineira.

O Vasco deu flores e um cartão de prata ao Cruzeiro. Também coube ao representante carioca a saída de jogo. Mas do outro lado estava a patota de Dirceu Lopes, cheia de qualidade individual e disposição.

Antes mesmo que Armando Marques apitasse o final do jogo vencido pelo Vasco, a torcida vascaína explodiu e o Mário Filho viveu um dos seus maiores momentos de vibração. E durante os seguintes 20 minutos, os torcedores mantiveram-se todos em seus lugares, aos gritos de Casaca, enquanto os campeões brasileiros davam a tradicional volta olímpica e Alcir subia à Tribuna de Honra, onde recebeu a Taça de Prata das mãos do Presidente Otávio Pinto Guimarães.

FICHA TÉCNICA DO JOGO: VASCO 2x1 CRUZEIRO

Local: Estádio Mário Filho (Maracanã). Rio de Janeiro 01/08/1974
Juiz: Armando Marques, auxiliado por Oscar Scolfaro e José Favile Neto.
Renda: Cr$ 1.413.281,50, com 112.933 pagantes.
Gols: Ademir aos 14 minutos do 1º tempo; Nelinho, aos 19, e Jorginho, aos 33 do 2º tempo.

VASCO
Andrada; Fidélis, Miguel, Moisés e Alfinete; Alcir, Zanata e Ademir; Jorginho, Roberto e Luís Carlos. Técnico: Mário Travagrini.

CRUZEIRO
Vitor; Nelinho, Perfumo, Darci Meneses e Vanderlei; Piazza, Zé Carlos e Dirceu Lopes; Roberto Batata, Palhinha (Joãozinho) e Eduardo (Baiano). Técnico: Hílton Chaves.

 


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