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06/10/2011 - Márcio
Antônio de Oliveira, 52 anos e atualmente técnico do São José feminino,
tem uma longa passagem pelo futebol. Quando pequeno, jogava amadoramente.
Segundo ele próprio, era um zagueiro e volante de qualidades razoáveis.
Porém, por conta das dificuldades que encontrou durante sua infância, nem
chegou a jogar profissionalmente.
Após desistir do futebol
amador de campo, recebeu a oportunidade de jogar no futsal, que na sua
concepção, foi um dos seus melhores momentos ao longo da sua vida no
esporte. Por conta de uma lesão resolveu parar também com o futsal e foi
apitar partidas amadoras, onde viu sua vida tomar um rumo totalmente
diferente do que ele próprio imaginava.
Em 1996, os auxiliares
Walter Virozzi e Benedito Carlos da Silveira foram os incentivadores para
que Antônio ingressasse na arbitragem brasileira. Entrou para |
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o quadro de árbitros da
Federação Paulista de Futebol em 1996 onde permaneceu até 2001, chegando
até ao quadro de árbitros da CBF.
Vendo que a carreira de
árbitro não o mais satisfazia, recebeu o convite para dirigir o clube do
São José feminino, só que no futsal. Seu sucesso foi tão grande que, em
2004, recebeu a proposta para comandar a equipe do mesmo São José, só que
agora de campo, onde permanece até os dias atuais. O técnico ainda busca
seu primeiro título na nova função.
FPF: Como foi sua
carreira no futebol amador?
Márcio Antônio: Foi difícil. Não tinha o incentivo que tem hoje em dia.
Era meio desleixado, não levava a carreira tão a sério. Talvez, por isso,
não senti vontade de seguir na carreira de futebol. Além disso, minha mãe
e meu pai pediram para eu começar a trabalhar e casei muito cedo. Na minha
concepção não foi muito satisfatória minha carreira no futebol amador.
FPF: Na sua visão, os
jogadores do passado eram muito diferentes dos jogadores atuais?
Márcio Antônio: É complicado afirmar isso. O jogador do passado tinha
muita habilidade e pouca preparação física. Hoje em dia, é bastante
diferente. A parte física é muito mais importante. A qualidade técnica dos
jogadores caiu um pouco. Hoje um jogador bem preparado tática e
fisicamente pode marcar um jogador excelente, um gênio. Acredito que os
tempos mudaram e por isso não se pode ter essa comparação.
FPF: Como foi sua
experiência como árbitro?
Márcio Antônio: Sou suspeito a falar. Na minha carreira como árbitro
cheguei a apitar jogos da Série A1. Cheguei ao quadro oficial da CBF.
Minha partida memorável na arbitragem foi Portuguesa contra Mogi Mirim. A
Lusa jogou muita bola e goleou por 5 a 0. Teve outra partida interessante,
entre o Tupã e o Corinthians de Presidente Prudente. Mesmo acabando saindo
derrotado por 2 a 0, o presidente do Tupã elogiou muito minha atuação na
partida. Posso dizer que minha experiência como árbitro foi muito boa.
FPF: Como treinador,
qual foi sua primeira experiência profissional?
Márcio Antônio: Em 2002, quando comecei a treinar o time feminino de
futsal do São José. Nessa passagem, tomei gosto pela carreira. Em 2004,
fui convidado para comandar o time do São José feminino, desta vez de
futebol, nos jogos regionais daquele ano. Desde então, sigo no comando da
equipe.
FPF: Qual é a
diferença entre treinar um time masculino e um feminino?
Márcio Antônio: Primeiro, acredito que o palavreado que se usa, como falar
com as meninas. Com os homens, você pode ser mais duro, já na garota deve
ser mais sensível. Saber o momento certo para falar, conversar e ser
cuidadoso no tom de voz. Já em outras questões, a parte tática e técnica
são bem parecidas. Com o futebol feminino, é preciso ter maior paciência.
FPF: Como você vê o
futuro do futebol feminino no Brasil?
Márcio Antônio: Para mim, não deve existir competição entre futebol
masculino e feminino. O futebol masculino é incomparável. No feminino, as
meninas têm que buscar seu espaço, com resultados, fazer o trabalho
certinho. Uma mudança interessante que reparei é que, antigamente,
existiam muitas garotas baladeiras. Hoje em dia, elas são bem mais
profissionais. Acredito que o futebol feminino está no caminho certo.
FPF: Qual momento mais
marcante nessa sua carreira como treinador?
Márcio Antônio: Foi um jogo da semifinal contra a Ferroviária em
Araraquara, ano passado (2010). O resultado final foi 3 a 3 e conseguimos
chegar à final do Campeonato Paulista Feminino. Saímos perdendo por 2 a 0,
porém, as meninas com muito brio e honrando nossa camisa, conseguiram
empatar por 3 a 3. Essa partida para mim foi espetacular. Na final,
acabamos sucumbindo frente ao Santos. Na minha visão, essa foi a partida
mais bacana como treinador.
FPF: Qual conselho
você daria para quem quer ser treinador de futebol?
Márcio Antônio: Primeiramente, se decidir entrar nessa carreira por causa
de dinheiro, desista. Para quem quer ser pelo prazer da profissão, estude
bastante, escute as pessoas, procure ouvir palestras com treinadores
famosos. Respeitar o seu plantel também é essencial. Tratar seus atletas
como gente. E por fim, o mais importante: ser humilde.
Leonardo Carvalho - FPF |